quinta-feira, 31 de maio de 2012

Era (sou) criança

Hoje é o dia da criança.
Não vais entender estas linhas que escrevo, de emoções que me fizeste descobrir, tal e qual uma criança pequena em busca do mundo. Porque até tu, ainda hoje és, um mundo a descobrir.
Nunca irás entender, que nos teus braços, tornava-me aquela criança que sorri quando a apertas, porque vai sentir calor, e cheirar o mais belo perfume como uma borboleta que anda de flor em flor. Não vais entender que me sentia como uma criança a fazer tranças a uma barbie, quando os meus dedos invadiam os teus cabelos. Nunca te contei, mas cada beijo que me deste foi como se fosse o primeiro, atrapalhado, inesperado e para o qual fiquei quase sem resposta. Sentir os teus lábios nos meus, foi como quando uma criança descobre que um gelado de morango, em pleno verão, é a melhor coisa que lhe podem dar. Tornavas-me na criança adulta mais feliz deste mundo (perdoar-me-ão a ousadia da minha afirmação, mas era verdadeiramente feliz.), pela protecção, pelo carinho, pelas meiguices. Por aquilo que juntos descobrimos. Pelo que é bom. Pelo que era bom. Pelo que era tão bom. Pelo amor, que juntos descobrimos.
Pela criança que fui nos teus braços, e que tanto queria que não fugisse.

Feliz dia da criança, também para ti.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Amor

Quando achares que nunca amaste verdadeiramente ninguém, olha para o teu pai e para a tua mãe. Será que não os amas de todo o coração?

Amo-vos.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Indecisões

Subo para um sitio bem alto. Sinto-me como se morasse num pedestal. À minha volta é tudo tão pequeno, as pessoas estão tão lá em baixo, e eu tão cá em cima. Não devo ser pessoa. As pessoas que eu amo, essas, também estão lá em baixo. Tão pequenas, mas parecem tão felizes, a concretizar os seus sonhos e a projectar muitos mais. 
Sou fraca, sou superficial, sou banal. Porque me deixei elevar, ou elevarem-me, para cima deste "trono" alto, onde me sinto como uma boneca de porcelana, ou talvez, uma boneca de plástico, que se for lançada ao fogo, irá desaparecer sem deixar rasto. 
Tenho medo. De hoje, e de amanhã. Apenas gostava que me viessem como sou, ou como quero ser.  Sem ser flor de estufa, sem ter que usar maquilhagem para "ficar mais bonita". Quero ser natural. Quero ajudar, sem que me apontem o dedo, ou que me digam que há outras pessoas para fazer o trabalho.
Estou cansada. De chorar. E de rir. Rir para mostrar que está tudo bem, e que sou uma menina obediente que gosta da vida que leva. Chorar, porque não é este o "mundo" que quero para mim.
Enquanto não parar, enquanto não der tempo a mim, não vou conseguir entender o que ando aqui a fazer.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Cinderela

Há alturas em que me sinto como a Cinderela. Mas uma Cinderela diferente:
- Descalça e sem saber o que é um sapato de cristal;
- Com o vestido sujo;
- Com lágrimas no rosto.
O príncipe que todas diziam amar, afinal não era como o idealizavam e tratou-a como se fosse lixo. Este príncipe não seguiu a história, nem respeitou as personagens. Tornou-se num príncipe real e banal.
Caminho por aí, sem caminho certo e sem nada conhecer. Paro junto a um lago. A noite confere-lhe uma escuridão imensa e, nem ao bailado de um peixe entre as águas dá para assistir. Mas, a lua da-lhe uma certa claridade, espelhando-o. Olho para mim, através do reflexo da água e deparo-me com a maquilhagem toda esborratada. Limpo a face, e dá para reparar no encanto do rosto, embora triste.