domingo, 29 de abril de 2012

Avó

Conheces as papoilas? Flor vermelha, que nasce espontâneamente, mas muito frágil. Um dia quando encontrares uma, experimenta a arranca-la para ti. Observa-a bem; não se vai aguentar viçosa por mais de cinco minutos, não vai ter como se defender. Vai tornar-se, a cada segundo que passa, mais frágil, até morrer por completo. 
É o que nos acontece, por cada dia que envelhecemos. Vamos ficando sem defesas, até um dia falecer. A minha avó, era como se fosse a minha papoila, que guardo entre os livros, a servir de marcador. Quando lhe tirei a vida pensei que ia continuar a brilhar sempre, mas estava enganada. Morreu. E a minha avó morreu, não porque eu lhe tirei a vida, mas porque tão simplesmente chegou a altura dela. 
Assistiu a um dos meus primeiros sorrisos, deu-me um dos meus primeiros banhos, ouviu uma das minhas primeiras palavras, viu como dei um dos meus primeiros passos. Ouvi uma das primeiras histórias de encantar, daquelas que nos fazem sonhar, ao colo dela e também chorei no seu ombro. Tanto aprendi com as histórias de vida dela, o que viu, o que sentiu, o que viveu. A minha avó era forte, e sempre me ensinou a ser forte. Agora chegou a minha hora de ser forte.
Dizem-me que ainda tenho a outra avó, mas uma pessoa não faz esquecer outra. É como o primeiro amor que nunca se esquece. 
Chegou a altura de trazer ao coração, todas as boas recordações que tenho dela:
- De se ter cansado de rir, quando, em pequena, me cortei porque quis por tulicreme no pão sozinha;
- De ralhar quando eu me escondia e principalmente quando sabia que eu tinha feito asneira;
- De me ter ensinado as contas básicas se somar;
- De se rir quando eu queria dormir com todos os meus peluches na cama;
E tantos outros "des" que eu poderia agora referir.
Pensa que a tua vida é como se fossem aqueles cinco minutos, desde que arrancas a papoila e ela morre. Repara como agora estás bem, e como daqui a cinco minutos podes já não estar. Por isso, nunca guardes para ti aquelas palavras de que às vezes podes ter medo ou vergonha de dizer. Pode nunca mais surgir oportunidade de o fazeres. Não tenhas vergonha de dizer o quanto gostas de uma pessoa, ou simplesmente, mostrar-lhe o quanto a amas. 
Por tudo o que foste e, por tudo o que és para mim:

Amo-te  Avó.


segunda-feira, 23 de abril de 2012

Desabafo

Irrita-me: irrita-me solenemente todo aquele homem que apenas atribui uma função à mulher. Não quero usar as palavras, porque não pretendo ser grosseira, mas tira-me do sério. Todo aquele que apenas usa a expressão "gosto de ti" para satisfazer o seu próprio prazer, ah, lamento, mas não é homem, não é nada! Qualquer cão, que no fundo "usa" uma cadela para garantir criação, está acima do homem que usa a mulher apenas para sexo. (Acabei por dizer.) Estou mesmo a falar de sexo, porque se fosse fazer amor, seria um homem com um H. Porque esse homem não iria apenas em busca do seu prazer, mas preocupar-se-ia com a sua parceira. E tenho dito: irrita-me o homem, em vez do Homem.

Olhos

Já viste bem a capacidade dos teus olhos? Como eles te podem identificar contrariando aquilo que as tuas palavras dizem. Os olhos não metem. Tão simplesmente assumem as verdades que tu escondes. Podes dizer que estás feliz, mas quando te olharem nos olhos, vão perceber que apenas queres esconder aquilo que sentes.
Não gosto de palavras. Gosto dos gestos que confirmam as palavras. Palavras soltas, leva-as o vento, já ouviste dizer? Gosto daquilo que o olhar pode expressar, ou melhor daquilo que os olhos expressam. 
Os olhos falam tanto, sem falar. Não precisam de estudar aquilo que querem dizer, com palavras bonitas. Falam por si só; no silêncio. Já viste que com os olhos digo que te amo e, com as palavras tenho que dizer que te odeio?

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Não te magoes

Deste vazio que trago, existe uma enorme vontade de te dizer que te estás a magoar.
Sim, ele tem um jeito diferente. Ele consegue sempre um sorriso teu com todas aquelas palavras bonitas. Ele vai dizer que ficas mais bonita com o cabelo solto, que gosta dos teus olhos e que gosta de te ver sorrir. O que não vai dizer, é que diz isso a todas. Tu vais sentir-te bem quando ele te abraçar e quando sentires o cheiro do perfume dele por perto. Vais sentir-te nas nuvens quando ele te beijar, porque ele beija como mais ninguém. Os lábios dele são tão perfeitos, tão suaves, tão doces. O que tu não sabes, é que quando ele não está contigo, vai estar a repetir esses mesmos passos com outra rapariga qualquer. Aquela malícia, aquele jeito ternurento para te tratar vai soar a música nos teus ouvidos, e tu vais adormecer ao som dessa mesma música. Triste, vai ser quando acordares e finalmente perceberes que foste apenas mais uma que passou na vida dele, como uma companheira das horas vagas. Nessa altura, vai ser tarde. Tarde, porque te apaixonas-te. Vais olhar para ele como o grande amor da tua vida. Os teus olhos vão brilhar sempre que o vires, e nessa altura tu, para ele, apenas pertences ao passado. Vais chorar. Vais chorar, tanto como eu chorei e ainda choro. 
Vais à procura de conforto. Vais sentir-te bem por uns instantes, mas quando ele voltar a surgir nas tuas memórias que tanto gostavas de transportar para o presente, vais voltar a chorar. 
Se hoje digo isto é porque sei, o que passei, e o que estou a passar. Quero tanto que não te magoes. 
"Pudesse eu ter lido o futuro..."

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Deste sol.


Da sensação de mão cheia. Cheia de sonhos, transformados em grãos de areia que te escapam por entre os dedos. Grão a grão. E tão devagarinho que só passado um pouco é que te apercebes, que quase já tens a mão vazia. Foram, soltaram-se como pássaros que voaram, em busca de uma primavera onde de novo brilha o sol. "Já não há, nada de novo aqui, debaixo do sol." - Deste sol.
Amanhã, descobres que o inverno se foi, e a primavera traz consigo novos sonhos, transformados em tulipas que vais colher, do teu jardim de areia.

Eu e o Vagabundo

Entre estas cinco paredes, sinto-te cada vez mais próximo. O teu olhar faz o meu corpo mover-se, até ficar estatelado contra a parede. Envolves o meu rosto nas tuas mãos, enquanto te aproximas. Baixo a cabeça, porque um beijo significa muito para o pouco que te conheço, mas ficar inerte significa pouco para o muito que te conheço. Abraço-te. Aqui ficam as palavras que não te digo, os sorrisos que te escondo, as lágrimas que não te mostro, e os sonhos que edifico.

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sexta-feira, 13 de abril de 2012

Tiago Pereira

Hoje quero brincar contigo. Sim, não te assustes, é isso mesmo, brincar. E ralhar contigo também: por teres mexido nas minhas coisas, por teres deixado as tuas coisas espalhadas pela casa. Quero conversar contigo, frente a frente. Tu sentado de um lado e eu do outro, talvez a comer serradura (o teu doce favorito). Quero falar-te da minha vida e da tua também, e se possível, ensinar-te o pouco que sei. Quero ajudar-te a organizar os teus planos (infantis) para o futuro e brincar contigo. Quero despentear esse teu cabelo liso, enquanto conversamos e tu começas a ficar com cara de mau e a dizer para eu parar.
Tantas vezes acabo a ralhar contigo, mas não é por mal, mas sim porque gosto de ter o meu espaço.
Desde o dia em que nasceste que quero dividir os meus sonhos contigo, mas outros quero-os só para mim, para assim nos diferenciarmos como irmãos.
Sabes bem que quando queres uma coisa, se não te puder dar, vou partilhar o mais idêntico que tenha contigo. Eu divido o meu mundo contigo, sem vergonhas, distâncias (apesar de existir), nem preconceitos. 
Tu fazes-me crescer, fazes-me acreditar, fazes-me sorrir, fazes-me chorar, fazes-me sonhar: e o mínimo que te posso fazer é amar.

(Talvez nunca leias isto :x)

Ao meu irmão

quinta-feira, 12 de abril de 2012

quarta-feira, 11 de abril de 2012

O som do meu silêncio


A musica que ouvíamos, deixou de ser escutada. Tornei-me surda, relativamente a esse som. Gosto mais do que ouço hoje porque me dá vida. Sim, é isto mesmo. E novamente vais julgar-me e dizer que é música "rasca". Mas é o que eu gosto. Posso ter direito a isso? Os gostos, principalmente os nossos, não se discutem.
Ao som da música que escuto, por cada tecla do piano que é tocada, é como se as tuas palavras fossem novamente pronunciadas. Continuo a escutar e afinal não estou certa. A melodia é verdadeira, as tuas palavras falsas. Por cada vez que dizias "gosto de ti", era como se o dissesses a mais que uma pessoa. Ladainhas e falinhas mansas. Tudo coisas que não gosto. Lábia é isso, que tu tens.
E hoje perguntas-me se é assim que sou feliz. Se estou melhor assim. A minha resposta nem é merecida aos teus ouvidos, pelo que me magoaste, ou por simplesmente ter diminuído na minha consideração.
Mas eu respondo. Sou feliz quando vejo que os outros estão bem (até mesmo tu, não duvides; nem tão pouco te desejo o mal). Sou feliz quando todos os dias me levanto cedo para ir para a faculdade. Sou feliz quando consigo fazer alguma coisa por mim própria, para mim, ou para os outros. Sou feliz quando consigo fazer esboçar um sorriso nos meus amigos. Sou feliz quando estou com aqueles de quem gosto. Sou feliz com tudo aquilo que faço. Sou feliz até quando me deito.
Então percebi que já não precisava de ti para ser feliz, por isso passaste para um sitio pequeno lá no fundo do meu coração. Deixaste de ser prioridade, porque na verdade, eu quero é ser feliz.
A música? Gosto muito dela, não só porque tu não gostas, mas porque para mim é o som do silêncio.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Abraço

Recorda-te que: vai sempre haver quem te abrace quando estás numa festa, e quem te abrace quando tu choras.
É isso que difere as pessoas.

A capacidade do teu botox

É extraordinária a forma como um bocadinho de rimel te muda as feições. A boneca de porcelana instala-se em ti, e  o "não me toques que me desafinas" é a tua frase predilecta. E tudo isso para quê? De que te vale, se depois, com a água da torneira, pura e cristalina tudo se desfaz e voltas a ser novamente tu? Nunca ouviste dizer que a água tudo lava? Ficas mais sincera com todas as tuas cicatrizes do que com um ligeiro (por mais ligeiro que seja), toque do batom. 
Tudo isto para te dizer, que tu és quem és, e não é a maquilhagem que te vai mudar, ou deve sequer mudar. 

segunda-feira, 9 de abril de 2012

A história de encantar (o fim!)

Abro os olhos, meio ensonados, que se sentem obrigados a manter abertos, dada a hora tardia desta manhã, em que os raios solares entram velozmente, pela janela a dentro. Recordo-me do abraço que me deste, na noite anterior, antes de fecharmos os olhos, e nos rendermos ao sono profundo. Adormecemos abraçados. Olho para os lados e não estás. Primeiro penso que estava apenas a sonhar. Na verdade, a manhã rouba-me a sanidade mental, e enquanto não regresso a mim, sinto-me dividida entre o real e a ficção. 
Afinal, foi mesmo verdade. Mas durante esta noite, descobri o teu lado mais obscuro em que eu não passo apenas de mais uma conquista fugaz. Assim, não quero mais. Quero o fim. Não quero mais alimentar histórias de encantar, nem do fantástico. Quero viver o meu próprio eu, com os pés assentes em terreno sólido, e não em areia movediça. Terminou. A nossa história de encantar, chegou ao fim.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Tinha prometido que nunca iria chorar por nenhum homem (rapaz) e, hoje choro por ti.